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Por Magoo
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Recentemente, os jornalistas estrangeiros que trabalham no Brasil como correspondentes internacionais se reuniram para discutir os rumos de seu trabalho e, mais uma vez, confirmaram o que todo mundo já sabe: que, lá fora, continuamos sendo o país do futebol, do samba e do Carnaval.
Nós, claro, sabemos que somos muito mais do que isso. Somos, por exemplo, o país do cafezinho. Embora os amigos colombianos levem a fama e os vizinhos argentinos tenham sofisticado o ritual ao acrescentar o copinho de água com gás para “higienizar” a boca antes de degustar o pretinho, ainda somos um produtor de enorme respeito no mercado internacional. Então imaginem que nosso amado e idolatrado cafezinho esteja ameaçado pelo Bolsa Família. Como?
Pois é, parece uma associação meio forçada, mas quem diz isso não sou eu. É o presidente da associação dos produtores de café do Espírito Santo que, em entrevista hoje ao Jornal da CBN, contou que tá difícil encontrar quem queira trabalhar na colheita de grãos depois que inventaram o Bolsa Família. O raciocínio é simples: o Bolsa Família é distribuído para quem comprova (sic) seu estado de miséria. Para receber o benefício, portanto, não se pode ter carteira assinada – notem que eu não disse “emprego”. Para trabalhar na colheita do café, o produtor tem que formalizar a contratação do trabalhador, mesmo que por período temporário. Caso contrário, ele será autuado pela Justiça do Trabalho. Logo, o sujeito que recebe o Bolsa Família só vai encarar o duro desafio de colher os grãos se for na base da economia informal. Como o produtor tem medo de levar a pior nessa empreitada, o que ele faz? Planta eucalipto no lugar do café! Assim, todo mundo fica feliz: o beneficiário do Bolsa Família, o produtor rural e...a indústria de papel. A mesma indústria que, no mesmo estado do Espírito Santo, substituiu a exuberante paisagem natural da Mata Atlântica pela triste monocultura do eucalipto. Quem já viveu a experiência de percorrer a BR de Vitória até o sul da Bahia sabe do que estou falando. Enquanto isso, quem gosta do pretinho brasileiro pode até concordar que o aroma do eucalipto é muito agradável, mas o gosto, bem, o gosto só pode ser amargo, muito amargo.
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