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Tentarei
resumir em pouco tempo/palavras uma história um tanto quanto longa.
O século XX viu a consolidação de um fenômeno que começou logo
após a revolução francesa; o avanço social lateral disfarçado de
“pulo para frente”.
Quem,
como e onde? Pois é, Napoleão foi o protótipo do tirano do século
XX. O fato de ao final da sua vida ter sido considerado louco (um
exemplo mais recente são os vídeos tirando sarro de cenas de Hitler
que circulam no Youtube) após a sua morte, até a sua relação com
o povo. Mas o que serve como exemplo concreto do que quero discutir é
o uso da propaganda. Napoleão erigiu o seu império em cima da
“idéia” de inimigo exterior.
As
potências européias tradicionais estavam se preparando para acabar
com a revolução francesa e devolver o poder aos Bourbon.
Aproveitando-se da real ameaça dessa sombra, Napoleão começou a
fazer as pazes com as elites e o povo; em nome de um 'futuro melhor'.
Sendo que na verdade a guerra erigida por ele contra toda a Europa,
de fato, congelou tanto o processo social 'natural' que a França
teria se continuasse sendo uma monarquia; quanto os avanços e
mudanças reais devidos à implantação da democracia.
A
França começou assim a andar de lado. A sociedade francesa parou
quase que por completo, focada na eliminação e manutenção do
esforço em impedir que os inimigos da revolução ganhassem, sendo
que de fato, não havia mais revolução. Esse processo se repetiu
durante o século XX, na Itália de Mussolini, na Alemanha de Hitler,
a China de Mao e na União Soviética de Stalin; para nomear os mais
famosos.
A
única diferença entre esses movimentos e o iniciado por Bonaparte,
está no fato do olho estar sempre voltado para o futuro. A defesa
sempre é de um projeto utópico, de uma união, um momento tão
maravilhoso de sinergia dentro de uma população; que a inveja de
todos ao redor justificaria o ataque dos invejosos aos guardiões do
futuro, sustentando assim uma forma de governo autoritária que
proteja esses visionários das “forças do atraso”.
E
agora temos tanto o plano nacional dos Direitos Humanos, quanto a
Diretriz
Nacional do PT desse ano. Ambos me assustam, por não entenderem
que uma democracia precisa de discordância para sobreviver,. A
diretriz nacional lega ao PSDB a alcunha de força do atraso; são
sintomas de uma radicalização perigosa.
E
unem-se nessa radicalidade a falta de um projeto de governo,
adicionado à constituição de um projeto de poder. Cada vez fica
mais claro que para o PT a capacidade dele de criar as mudanças
pretendidas na sociedade brasileira passa pela condição de ser
irremovível do governo. Mas o que exatamente o PT (pois Dilma não é
uma força em si, mas sim um símbolo a ser mantido para a
continuação desse projeto) quer além do poder? Nem ele sabe.
O
petismo sabe que ele é o 'guardião do futuro', de que o país só
existe com ele, dentro da sua própria lógica, enfrentando o
universo que tem como objetivo derrubá-lo do poder para fazer todo o
tipo de atividades sórdidas. Opostas às suas, defendidas com unhas
e dentes. Mas qual é esse futuro que o PT defende? Quais são
verdadeiramente as suas idéias correntes? Qual é o fundo ideológico
de tudo isso? O novo petismo ferrenho responderá que é uma pergunta
tão óbvia que só o fato de ser feita demonstra a ignorância do
interlocutor; mas não responderá à pergunta, dizendo que o futuro
está ameaçado por pessoas que preferem pensar a agir.
Napoleão
era um homem de ação, Mussolini incitava os italianos a agirem. E
eu tenho medo de viver em uma sociedade que anda de lado.
Como
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