Home arrow Ferrarista arrow As forças do atraso 29 de julho de 2010
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As forças do atraso PDF Imprimir E-mail
Por Ferrarista   

red_dawn_350Tentarei resumir em pouco tempo/palavras uma história um tanto quanto longa. O século XX viu a consolidação de um fenômeno que começou logo após a revolução francesa; o avanço social lateral disfarçado de “pulo para frente”.

Quem, como e onde? Pois é, Napoleão foi o protótipo do tirano do século XX. O fato de ao final da sua vida ter sido considerado louco (um exemplo mais recente são os vídeos tirando sarro de cenas de Hitler que circulam no Youtube) após a sua morte, até a sua relação com o povo. Mas o que serve como exemplo concreto do que quero discutir é o uso da propaganda. Napoleão erigiu o seu império em cima da “idéia” de inimigo exterior.

As potências européias tradicionais estavam se preparando para acabar com a revolução francesa e devolver o poder aos Bourbon. Aproveitando-se da real ameaça dessa sombra, Napoleão começou a fazer as pazes com as elites e o povo; em nome de um 'futuro melhor'. Sendo que na verdade a guerra erigida por ele contra toda a Europa, de fato, congelou tanto o processo social 'natural' que a França teria se continuasse sendo uma monarquia; quanto os avanços e mudanças reais devidos à implantação da democracia.

A França começou assim a andar de lado. A sociedade francesa parou quase que por completo, focada na eliminação e manutenção do esforço em impedir que os inimigos da revolução ganhassem, sendo que de fato, não havia mais revolução. Esse processo se repetiu durante o século XX, na Itália de Mussolini, na Alemanha de Hitler, a China de Mao e na União Soviética de Stalin; para nomear os mais famosos.

A única diferença entre esses movimentos e o iniciado por Bonaparte, está no fato do olho estar sempre voltado para o futuro. A defesa sempre é de um projeto utópico, de uma união, um momento tão maravilhoso de sinergia dentro de uma população; que a inveja de todos ao redor justificaria o ataque dos invejosos aos guardiões do futuro, sustentando assim uma forma de governo autoritária que proteja esses visionários das “forças do atraso”.

E agora temos tanto o plano nacional dos Direitos Humanos, quanto a Diretriz Nacional do PT desse ano. Ambos me assustam, por não entenderem que uma democracia precisa de discordância para sobreviver,. A diretriz nacional lega ao PSDB a alcunha de força do atraso; são sintomas de uma radicalização perigosa.

E unem-se nessa radicalidade a falta de um projeto de governo, adicionado à constituição de um projeto de poder. Cada vez fica mais claro que para o PT a capacidade dele de criar as mudanças pretendidas na sociedade brasileira passa pela condição de ser irremovível do governo. Mas o que exatamente o PT (pois Dilma não é uma força em si, mas sim um símbolo a ser mantido para a continuação desse projeto) quer além do poder? Nem ele sabe.

O petismo sabe que ele é o 'guardião do futuro', de que o país só existe com ele, dentro da sua própria lógica, enfrentando o universo que tem como objetivo derrubá-lo do poder para fazer todo o tipo de atividades sórdidas. Opostas às suas, defendidas com unhas e dentes. Mas qual é esse futuro que o PT defende? Quais são verdadeiramente as suas idéias correntes? Qual é o fundo ideológico de tudo isso? O novo petismo ferrenho responderá que é uma pergunta tão óbvia que só o fato de ser feita demonstra a ignorância do interlocutor; mas não responderá à pergunta, dizendo que o futuro está ameaçado por pessoas que preferem pensar a agir.

Napoleão era um homem de ação, Mussolini incitava os italianos a agirem. E eu tenho medo de viver em uma sociedade que anda de lado.

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