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Assisti "Extract", novo filme de Mike Judge (Como enlouquecer seu chefe, Idiocracy e Beavis and Butthead).
Sou fã de Mike Judge e de seu senso de humor corrosivo.
"Extract" é um pouco diferente disto, talvez o humor não seja a tônica do filme, apesar de ter momentos muito divertidos. Mas a narrativa é lenta, o fluxo não é acelerado.
O filme mostra situações inesperadas do cotidiano de um proprietário de uma fábrica de essências (talvez a maior ironia de todas no filme) para alimentos. A fábrica está prestes a ser vendida, o que pode gerar uma aposentadoria antecipada e esperada pelo dono, mas ele não está feliz. Seu casamento vai mal, e isto o incomoda.Aconselhado por um amigo (e mau conselheiro), ele resolve tentar fazer as coisas de uma maneira diferente, e seu casamento sai definitivamente do lugar.Ao mesmo tempo, problemas acontecem em sua fábrica, e a potencial compra acaba sendo colocada em xeque.
Em suma, é o retrato de uma crise.
O que chama a atenção é que não há grandes emoções no filme, os personagens parecem anestesiados em seus papéis sociais. Todos parecem sofrer de algum tipo de alienação, não há relações, e portanto a crise, em si, não atinge uma situação essencial, apenas contextual. Aparentemente ninguém sofre no processo, há uma apatia geral, que em alguns momentos beira a idiotia.
Não tenho certeza se este retrato da sociedade americana foi traçado tão cirurgicamente, ou se é um reflexo inconsciente dela. Mike Judge é um grande crítico, mas desta vez ele apresenta uma trama "temperada", sem grandes emoções, sem uma grande "mensagem", que começa praticamente da mesma maneira que termina, o que gera um incômodo estranho, onde todos são absorvidos mas ninguém se envolve.
Há uma apatia na sociedade, ou os conflitos não levam a lugar nenhum? Como estamos acostumados a compreender que conflitos podem ser transformadores, a percepção de que o conflito pode simplesmente não levar a nada incomoda.
Ao terminar de assistir o filme fiquei na dúvida se esta fórmula cinematográfica está gasta ou se simplesmente a vida passa.
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