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Muita gente tem comentado o absurdo comportamento do médico Roger Abdelmassih com suas clientes. Não há como negar, o cara foi muito, muito além do esperado de um profissional tecnicamente competente e, considerado por muitos, um dos melhores do mundo em sua especialidade.
O que acho curioso é que ninguém tenha chamado atenção à questão psicológica de seu comportamento. Acho que as pessoas estão tão impressionadas com o número de abusos e de estupros que não percebem que o desvio de conduta dele é absolutamente configurável como transtorno de personalidade. O cara não é tarado (ou "apenas" tarado, no sentido de buscar muito sexo ou ter muito interesse no tema), ele é sexualmente problemático, e como tal, precisa de tratamento.
Muitos profissionais se tornam megalômanos na situação dele. Bem sucedido, famoso, rico, o cara se acha o tal. Mas o caso dele extrapola a megalomania: Seu comportamento aponta para uma personalidade mitômana, que acredita estar absolutamente acima do bem e do mal. Não haveria, nesta condição, possibilidade de comparação com qualquer outro ser humano, o cara se acha Deus da Fertilidade. Confundem-se a profissão e o desvio: Ele aparentemente criou um "ritual" de fertilização com suas clientes, como se fosse o responsável por fertilizar cada uma de suas pacientes.
Com o dinheiro que tem e com a libido que aparenta ter, ele poderia facilmente procurar mulheres bonitas e satisfazer suas necessidades sexuais. Por que então procuraria "abusar" de suas clientes, mulheres fragilizadas, que não conseguem engravidar? Talvez por achar que ele estivesse, como homem, sendo chamado a fertilizá-las. Mas com a impossibilidade de "contaminar" seus procedimentos, ele atuaria de maneira periférica, buscando contato físico sem necessariamente a penetração.
Sei que é difícil falar isto, mas prender o cara não vai resolver seu problema. O cara precisa é de tratamento... E isto não significa que ele não precise ser punido pelos seus atos. Não é para abrandar ou livrar o sujeito, mas que ele é doente, não há dúvida.
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