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Ao ver Lewis Hamilton comemorar com banho de champanhe sua vitória no GP da Hungria de F1, lembrei-me de Schumacher em 2004 no pódio de Ímola, celebrando sua vitória a plenos sorrisos, enquanto Ayrton Senna jazia num hospital nos arredores de Florença.
Por longos e prazerosos dez anos trabalhei como jornalista na Fórmula 1. A pior de minhas lembranças não está no que vi, mas no que senti. Como os donos, pilotos, chefes de equipes e patrocinadores olham esse esporte e o desprezo imediato que uns sentem pelos outros.
No futebol ainda existe o famigerado “minuto de silêncio”, com a duração máxima de 40 segundos. Na F1 nem isso. Vale o champanhe que precisa ser aberto, entornado e jorrado sobre jornalistas, equipes e asseclas, como se fosse um imenso gozo público.
Nenhuma menção á situação clínica de Felipe Massa, nenhum ato de respeito á sua condição de enfermo crítico, nenhuma demonstração explícita de companheirismo e amizade.
Como escreveu certa vez “mestre” Armando Nogueira, que valor tem um esporte onde não se vê os olhos e o rosto dos adversários?
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