Pouco se tem falado, ultimamente, sobre a pequena Maisa, tardia versão tupiniquim da menina-prodígio dos americanos nos anos 30, Shirley Temple. De fato, Maisa tem aparecido menos depois de sua primeira grande crise como astro-mirim de televisão, quando o mais antigo apresentador-macarrão da televisão brasileira (faz muito sucesso aos domingos), durante uma entrevista com a risonha petiz em seu programa, chamou ao palco um garoto fantasiado de monstro. Ao ver a “aparição” a menina, que sempre foi cheia de carinhas e boquinhas, desenvolta e inteligente, saiu do palco correndo de medo armando o maior berreiro. Num outro programa, o dono do Baú fez a menina sair do palco chorando e ela acabou batendo a cabeça em uma câmera, novamente fazendo o maior xororô!
Pronto! Foi o suficiente para que todo mundo, incluindo o público, o próprio homem-sorriso, os oportunistas pais da menina e o Ministério da Justiça descobrissem o óbvio: a pequena e precoce Maisa não é um andróide coisa nenhuma! Nem anã, como queriam alguns. Ela é uma criança mesmo, de carne e osso... inteligente e precoce sim mas, acima de tudo, criança que chora, faz manha, faz birra coisa e tal.
Agora, tomara, Maisa terá menos televisão e mais infância, já que a Justiça proibiu sua participação no Programa Silvio Santos, permitindo que ela continue apresentando o infantil Bom Dia & Cia mas somente aos sábados de manhã. Essa decisão do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) foi baseada no fato de o programa do SBT haver exagerado ao expor a garotinha a situações constrangedoras e vexatórias. A penalidade é bastante correta, porém os motivos são esquisitos! Difícil acreditar que uma criança de 7 anos tenha cacife psicológico, emocional ou intelectual para se sentir constrangida e vexada. A veterana Xuxa, sim, sentiu-se vexada e constrangida depois que o programa da Band, Atualíssima, mostrou fotos da apresentadora vestida do jeito que ela veio ao mundo. Mas uma criança de 7 anos? A Maisa chorou com as brincadeiras sem graça do apresentador mas apenas porque é uma criança mimada demais e contrariada de menos. Só isso!
Aliás, mais do que constranger ou vexar, o maior delito que se pode ter cometido contra a menina, e aí a culpa não é apenas do Sílvio Santos mas também dos pais e do público que aplaude, foi o fato de a privarem de um dos melhores períodos da infância. Microfone demais e Barbie de menos! Tudo em nome da audiência, do Ibope e da grana que ela conseguiu arrecadar... pros cofres do SBT, pro saldo bancário dos pais e até para o FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – que, dizem, vai morder um milhão de reais em indenização porque o MPT entendeu que o SBT descumpriu a legislação trabalhista e ocasionou danos morais coletivos. Enfim, todos estão faturando em cima da menina. Pra ela mesmo, quando crescer e deixar de ser “ uma gracinha”, só vão restar problemas psicológicos e sensações de vazio que, dizem os psicólogos, acometem adolescentes que não tiveram uma infância plena. Qual será o futuro de Maisa? Só quem viver, verá!
Pelo menos a Shirley Temple, enquanto era “uma gracinha”, sapateava, dançava, cantava e atuou em mais de 50 filmes entre curtas e longas. Ela interpretou como ninguém uma criança mimada, mas quando precisava mostrar charme e inteligência era com ela mesma! Claro que a imagem de Temple também foi explorada pelos suseranos de Hollywood. Mas o que fizeram com Maisa chega às raias da maldade pura e simples e seu mundo despencou precocemente...
|