|
Esse post na verdade
era para ser um comentário abaixo, no post do Rubilota, mas achei
que o espaço do blog é mais frutífero quando ele, também, é
usado para um pouco de divergência. Concordo com ele quando ele diz
que vivemos no país do jeitinho e não da retidão moral. Não sei
se acho isso melhor ou pior, certeza que Auschwitz não aconteceria
aqui; mas a candelária acontece umas duas ou três vezes por mês...
Acho difícil que essa
lei pegue, mas torço como nunca para que ela 'funcione' (que nem com
medicamento cardíaco sem contra-indicação). Torço porque não
agüento mais. Não agüento mais entrar em bares/restaurantes e
baladas. Não agüento mais o cheiro de cigarro quando vou me deitar
quando saio e principalmente não agüento mais a sensação de ardor
nos meus pulmões e olhos quando fico muito tempo dentro de um lugar
desses.
Restaurantes não são tão problemáticos, eles colocam um espaço razoável entre os
fumantes e os não fumantes, apesar de que muitas vezes os fumantes
sentam em lugares melhores, mais arejados. Apesar de que, se
houvessem restaurantes gourmet
sérios em São Paulo, eles proibiriam o fumo sozinhos, qualquer um
que tenha sem querer 'comido' fumaça de cigarro sabe que ela
aniquila qualquer gosto.
No
último semestre fui 'obrigado' a sair de quatro lugares pois não
consegui mais respirar, não tenho asma, mas imagino uma sensação
parecida aos ataques de que tem quando estava nesses lugares; falta
de ar constante, como se eu tivesse corrido muito sem parar. Em duas
dessas vezes só consegui respirar direito depois de alguns minutos
no 'ar puro' da cidade.
Imaginem;
se o ar de São Paulo serviu para limpar os meus pulmões, como o
lugar estava completo lotado de cigarro. Os funcionários das casas
noturnas e bares de São Paulo, fumam em média de 2 a 4 maços de
cigarro por noite! Isso se eles não fumarem por si sós!
Sobre
a associação de bar e bebida, existem alguns preceitos psicológicos
que os fumantes deveriam entender. E um deles é estímulo associado.
É através dele que parte da psicologia explica como nós buscamos
coisas que não são vitais para nós, porque 'aprendemos' durante
tanto tempo que quando uma vem, a outra vem junto.
É
por isso que ex-viciados em drogas pesadas não bebem, ou freqüentam
ambientes tradicionais a dependentes químicos. Porque normalmente
bebiam, ou freqüentavam esses lugares enquanto usavam ou estavam
prontos para usá-los, e o corpo reconhece esses lugares e produz uma
reação fisiológica a eles, produzindo substâncias que usa para
absorver os elementos da droga; como um cão de frente a uma tigela
de comida.
Eis
a combinação do barzinho e do cigarro! Você fumante, já bebeu e
fumou tantas vezes juntas que acabou associando um ao outro! O bar
ainda é um ambiente lotado de nicotina, o que estimula ainda mais,
além do fato da cerveja tirar algumas inibições e fazer você
fumar aquele cigarro à mais que você sempre consegue se convencer
de não fumar...
Pergunte
a um não-fumante ou a um fumante de um país onde se pode fumar
cigarro só fora de estabelecimentos fechados, ele não irá fazer
essa associação tão prontamente. Assim como ele não fará a
associação que todas as pessoas com olfato (essencialmente não
fumantes) fazem em São Paulo: -Putz, vou sair hoje e voltar
cheirando a cigarro...
|