O senador josé sarney, atual presidente do senado brasileiro – as minúsculas são propositais! – protagonizou uma das cenas mais surreais da história deste pais. Depois de ter negado na semana passada que recebia auxílio-moradia irregularmente, posto que possuía residência própria em brasília, o senador eleito pelo pmdb do amapá, embora resida oficialmente no maranhão, acabou finalmente confessando o crime e prometeu devolver o dinheiro roubado aos cofres públicos. E ainda garantiu que iria debater novas regras para o pagamento do auxílio-moradia em reunião da mesa diretora do senado. Feito isso, considerou o assunto encerrado.
Roubou, pediu desculpas e se comprometeu a devolver o dinheiro. Como, de acordo com a constituição brasileira, todos são iguais perante a lei, que se crie então jurisprudência para essa atitude de tão alta figura na hierarquia política do país, permitindo que qualquer preso, seja ele um assassino, seqüestrador, estuprador ou um ladrão do dinheiro público, como o senador, se arrependa do seu crime, negocie o pagamento do dito cujo com ele mesmo, só que em liberdade. Portanto, que se abram as portas da cadeia para que toda sorte de criminosos possa se juntar a sarney, à turma do mensalão e a todos os demais políticos que, quando pegos com a boca na botija, se colocam na posição de juizes e, assim, atribuem-se penas leves e, simplesmente, encerram o assunto. Afinal, o negócio aqui é sempre bola pra frente, né?
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