Primeiro, assisti a um episódio de “O Aprendiz Universitário” e presenciei, horrorizado, um aberrante desfile de atrocidades cometidas contra a geografia e a cultura brasileiras. O que mais me espantou, no entanto, foi o fato, alardeado pela produção do programa, de aqueles jovens estarem ali após terem passado por um sem numero de testes e peneiras, o que lhes deu, teoricamente, o título de “melhores entre os melhores”. Se os que não parecem nunca ter frequentado uma aula de geografia são os primeiros da classe, não consigo imaginar o nível da “turma do fundão”...
Na semana seguinte, os rapazes do CQC foram ao Congresso sabatinar deputados. Começaram testando o conhecimento dos parlamentares sobre o salário mínimo, cujo aumento estava para ser votado. A exemplo dos universitários, tive mais uma triste constatação. Poucos, mas pouquíssimos deputados sabiam o valor exato, que, desde 01 de fevereiro último, é R$ 465,00.
E aí seguiu-se uma filia interminável de demonstrações supremas da ignorância de nossa classe política – muitos não sabiam o que significavam siglas como BNDES e FGTS! Um a um, os deputados passaram pela sabatina dos repórteres, explicitando o baixíssimo nível desses brasileiros de aluguel, cidadãos de segunda classe, ignorantes dos problemas de seu país, ignorantes da história, da cultura, das leis deste país que, inexplicavelmente, continua lhes dando de bandeja votos e crédito. Infelizmente, não consigo encontrar outra explicação para esse fenômeno, a não ser o fato de que o Brasil é, mesmo, uma nação de idiotas. Se Mario de Andrade estivesse vivo, certamente corrigiria sua famosa frase para “Muita ignorância e pouca saúde os males do Brasil são”.
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