Menos de 24 horas após a Organização Mundial de Saúde comunicar que a gripe suína já merecia o nível de alerta 4 – apenas dois níveis abaixo do referente a uma pandemia -, o jornal “Bom dia, Brasil”, da Globo, reservou todos os seus primeiros 20 minutos para tratar do assunto. Finalmente, a Imprensa descobriu um outro tema que superasse a crise financeira internacional em nível de atenção. Pode estar certo: no próxmo fim de semana, todas as revistas semanais estamparão a gripe suína em suas capas anunciando a chegada do verdadeiro apocalipse...
Se essa nova modalidade do vírus Influenza vai se espalhar rapidamente e causar um estrago semelhante à gripe espanhola, pandemia que se deu entre 1918 e 1920 e que teria provocado mais de 20 milhões de mortes, só o tempo irá dizer.
O fato é que a gripe aviária, prima-irmã da gripe suína, infectou pessoas no Vietnã, na Tailândia e na Indonésia em 2005 e seu surto foi rapidamente controlado, embora as autoridades até hoje permaneçam em estado de atenção para a identificação de novos casos.
O que está acontecendo no México, país até o presente momento mais afetado pelo atual surto de gripe suína, parece digno de uma obra do escritor português José Saramago. Com o fechamento de cinemas, escolas, shoppings, enfim, com tudo quanto é área de grande aglomeração, incluindo as ruas, transformadas repentinamente em lugares vazios, o medo já tomou conta da população e, diga-se de passagem, não é para menos.
A única droga recomendada pela OMS para o tratamento da doença – o medicamento Tamiflu, da Roche – precisa ser ingerida até 48 horas após o surgimento dos primeiros sintomas. Caso contrário...bem, pergunte a um infectologista e ele lhe dirá o que pode acontecer... Mesmo assim, quem toma a droga continua contaminando outras pessoas, algo que só pode ser evitado por meio de uma vacina, que ainda não existe e que, segundo se fala, só estará disponível a partir de, na melhor das hipóteses, de oito a doze meses.
O México, com sua pobreza, seus problemas de infra-estrutura, sua grande concentração de pessoas em centros urbanos, não é lá muito diferente do Brasil. Então, o negócio é acompanhar de perto o crescimento da epidemia no México e ficar de dedos cruzados para algum milagre impedir que aconteça o mesmo no Brasil...
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