Ao afirmar na reunião dos líderes do G20, realizada em Londres, que entraria para a história como o primeiro presidente que fez um empréstimo ao FMI, o presidente Lula dá, mais uma vez, uma demonstração clara de que sofre da síndrome de Narciso, aprisionado por uma vaidade descomunual. Ou será que estamos mesmo com dinheiro sobrando? “Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?”, disse Lula. Resolvi responder diretamente ao presidente, explicando o que, na minha modesta opinião, é realmente chique.
Presidente Lula, chique é ter moradia decente e não precisar morar em favelas em morros ou na ribanceira de córregos imundos, cheios de ratos e sempre com medo de perder o pouco que se tem por causa das chuvas.
Presidente Lula, chique é ter saneamento básico e água encanada, é poder freqüentar uma escola decente, onde os professores são realmente capacitados a ensinar e recebem salários justos.
Presidente Lula, chique é poder ter um emprego, que pague o suficiente para se sobreviver de maneira digna.
Chique, senhor presidente, é poder levar a família ao estádio para assistir a uma partida de futebol, com lugares marcados, como, aliás, reza a cartilha do torcedor, e sem correr o risco de ser agredido, seja pela polícia ou por bandidos uniformizados de torcedores.
Chique, senhor presidente, é poder andar pela rua sem medo de ser atropelado, assaltado, estuprado ou seqüestrado.
Chique, senhor presidente, é contar com políticos honestos e trabalhadores, que nos representem à altura de nossos valores.
Presidente Lula, chique é algo que o senhor jamais conseguirá ser – não por causa de sua origem humilde nem sua história de luta como líder sindical, mas porque lhe falta justamente a humildade dos grandes estadistas e a sabedoria que um líder precisa ter para poder entrar para a história como herói a ser seguido e não como um idiota, o bobo da corte a que o senhor se transforma quando esquece a missão de seu cargo para buscar o aplauso a qualquer custo.
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