Home arrow Ferrarista arrow Sobre o Medo 29 de julho de 2010
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Sobre o Medo PDF Imprimir E-mail
Por Ferrarista   

shepard-fairey-barack-obamaEu estou com um pouco menos de medo, mas não muito ainda. Meu medo diminuiu porque eu acabei de ver o discurso inaugural do novo presidente dos EUA, Barack Obama. Meu medo maior era o medo do futuro, o medo do olhar distante do então candidato a presidente na foto, medo de toda essa idéia de futuro, progresso, mudança e esperança que imbuíram a sua campanha e imbuem a sua figura.

Porque medo de palavras que à priori podem ser tão bonitas, tão elevadoras do espírito (como bem sabem os marqueteiros do atual presidente americano)? Porque essa palavras bonitas e elevadoras do espírito são justamente isso, elas carregam teores que são irrefutáveis; valores quase universais que não podem serem rebatidos; elas congelam a discussão política.

Já vimos isso acontecer aqui no Brasil, o nosso querido presidente congela todas as discussões políticas com apelos sentimentalistas; isso também é característica do populismo. Mas esse não é o meu medo. Meu medo é mais real, mais perigoso do que somente um populista comandando a maior economia e poderio militar do mundo. Ele vem da mesma foto à cima.

Meu medo é a incrível semelhança que a foto acima e o slogan de Obama “Yes we can” possui com a maneira que os governos fascistas e comunistas chegaram ao poder. Esse tipo de angariação, o tipo de polarização que ocorreu na eleição americana é perigosa. Hitler usou táticas parecidas, Mao também.

Sei que parece ser blasfêmia falar de Obama, Hitler e Mao no mesmo parágrafo (quanto mais na mesma frase); mas se a história nos ensinou algo, é que devemos olhar para ela à fim de (tentarmos) não cometer os mesmos erros cometidos antigamente. E esse era o meu medo com Obama, o olhar perpétuo para o futuro e para a mudança sem entender, ou jogar um olhar para o passado que o cria.

E seu discurso apaziguou parte do meu medo, mostrou que o candidato está virando presidente; mas ainda assim investe muito no devir e pouco no que é. A Alemanha nazista também investia no futuro, a ditadura varguista e o nosso presidente também. Talvez em anos vindouros o a interpretação histórica seja outra, mas há problemas essenciais se colocarmos no mesmo pote a obsessão pelo futuro, a mudança que nos salvará; e um cargo de grande poder.

Obama olhou para trás, tentou olhar para o povo americano e dizer que ali está o que caminho de solução do problema. Aí ele tirou um pouco do meu medo, mas a sua figura ainda me assusta, a forma como ele escalou o seu governo recheado de pessoas que não concordam direito uma com as outras (assim como Lincoln fez, lembrando que Lincoln foi o presidente que causou a Guerra da Secessão, não entrando em motivos do por quê dela, que é bem mais complicado do que nos ensinam na escola).

Mas o que sempre me ensinaram na escola é que o poder dos reis absolutistas advinha da briga incessante entre a burguesia e a nobreza por poder; e enquanto ele conseguia administrar essa briga ele continuava no poder e o ganhava ainda mais. Obama compôs um gabinete de pessoas que não necessariamente se amam – pessoal ou politicamente.

Não estou dizendo que Obama será um monarca, ou que com ele novos campos de concentração ou 'revoluções culturais' virão. Estou, sim, olhando para trás, na tentativa de entender o presente, apontando caminhos que, no Brasil principalmente, não foram apontados. Nossa mídia aparentemente se rendeu ao New York Times (que está falindo) e a sua linha pró Obama que o transforma em um novo messias-presidente.

Messias assim como Kennedy foi, o mesmo da crise dos mísseis e a qual o vice após empossado declarou guerra no Vietnam. Tanto Kennedy como Obama eram vendidos como jovens, no pico da forma física, bonitos e bem apessoados, assim como Fernando Collor de Mello. Mccain era o velho, acabado. Lembram-se daquela pegadinha sobre quem você queria que governasse seu país, um velho mulherengo, bêbado, ranzinza ou um jovem atlético, vegetariano e abstêmio? E que o primeiro era o Churchill e o segundo o Hitler?

Pois bem, esses são meus medos com relação a Obama, eles diminuíram um pouco, pois seu discurso foi menos radical do que poderia ser; mais pé no chão, menos futurista e mais realista. Ainda assim, a história me diz que pessoas com certas características no poder podem tornar algumas coisas mais complicadas.

Prefiro ser o chato do contra, que fica ali atrás falando “Cuidado, não é bem assim” e errar, do que me render a uma espécie de histeria coletiva em torno de qualquer figura pública. Porque desde quando eu descobri exatamente quem foi Che Guevara; vi que o único cara que salva é Cristo naquela piadinha com o demônio:

Jesus e o Diabo estavam disputando para ver quem escrevia mais rápido; o Capeta derramava cem palavras por minuto no teclado, enquanto Jesus 'brincava' de catar milho vagarosamente, encurvado em cima do teclado. Belzebu ria, enquanto olhava para Cristo, falando cada letra que tinha de digitar antes. Um minuto antes do final do desafio, o Diabo a tinha escrito o maior e mais importante tratado sobre a condição humana, enquanto Jesus colocava o ponto final na sua frase. Eis que a luz acaba, Jesus salvou sua frase enquanto Belzebu perdeu seu tratado sobre a condição humana por falta de precaução, afinal de contas: Só Jesus salva.

 
 
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