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Eu estou com um pouco
menos de medo, mas não muito ainda. Meu medo diminuiu porque eu
acabei de ver o discurso inaugural do novo presidente dos EUA, Barack
Obama. Meu medo maior era o medo do futuro, o medo do olhar distante
do então candidato a presidente na foto, medo de toda essa idéia de
futuro, progresso, mudança e esperança que imbuíram a sua campanha
e imbuem a sua figura.
Porque medo de
palavras que à priori podem ser tão bonitas, tão elevadoras do
espírito (como bem sabem os marqueteiros do atual presidente
americano)? Porque essa palavras bonitas e elevadoras do espírito
são justamente isso, elas carregam teores que são irrefutáveis;
valores quase universais que não podem serem rebatidos; elas
congelam a discussão política.
Já vimos isso
acontecer aqui no Brasil, o nosso querido presidente congela todas as
discussões políticas com apelos sentimentalistas; isso também é
característica do populismo. Mas esse não é o meu medo. Meu medo é
mais real, mais perigoso do que somente um populista comandando a
maior economia e poderio militar do mundo. Ele vem da mesma foto à
cima.
Meu medo é a incrível
semelhança que a foto acima e o slogan de Obama “Yes we can”
possui com a maneira que os governos fascistas e comunistas chegaram
ao poder. Esse tipo de angariação, o tipo de polarização que
ocorreu na eleição americana é perigosa. Hitler usou táticas
parecidas, Mao também.
Sei que parece ser
blasfêmia falar de Obama, Hitler e Mao no mesmo parágrafo (quanto
mais na mesma frase); mas se a história nos ensinou algo, é que
devemos olhar para ela à fim de (tentarmos) não cometer os mesmos
erros cometidos antigamente. E esse era o meu medo com Obama, o olhar
perpétuo para o futuro e para a mudança sem entender, ou jogar um
olhar para o passado que o cria.
E seu discurso
apaziguou parte do meu medo, mostrou que o candidato está virando
presidente; mas ainda assim investe muito no devir e pouco no que é.
A Alemanha nazista também investia no futuro, a ditadura varguista e
o nosso presidente também. Talvez em anos vindouros o a
interpretação histórica seja outra, mas há problemas essenciais
se colocarmos no mesmo pote a obsessão pelo futuro, a mudança que
nos salvará; e um cargo de grande poder.
Obama olhou para trás,
tentou olhar para o povo americano e dizer que ali está o que
caminho de solução do problema. Aí ele tirou um pouco do meu medo,
mas a sua figura ainda me assusta, a forma como ele escalou o seu
governo recheado de pessoas que não concordam direito uma com as
outras (assim como Lincoln fez, lembrando que Lincoln foi o
presidente que causou a Guerra da Secessão, não entrando em motivos
do por quê dela, que é bem mais complicado do que nos ensinam na
escola).
Mas o que sempre me
ensinaram na escola é que o poder dos reis absolutistas advinha da
briga incessante entre a burguesia e a nobreza por poder; e enquanto
ele conseguia administrar essa briga ele continuava no poder e o
ganhava ainda mais. Obama compôs um gabinete de pessoas que não
necessariamente se amam – pessoal ou politicamente.
Não estou dizendo que
Obama será um monarca, ou que com ele novos campos de concentração
ou 'revoluções culturais' virão. Estou, sim, olhando para trás,
na tentativa de entender o presente, apontando caminhos que, no
Brasil principalmente, não foram apontados. Nossa mídia
aparentemente se rendeu ao New York Times (que está falindo) e a sua
linha pró Obama que o transforma em um novo messias-presidente.
Messias assim como
Kennedy foi, o mesmo da crise dos mísseis e a qual o vice após
empossado declarou guerra no Vietnam. Tanto Kennedy como Obama eram
vendidos como jovens, no pico da forma física, bonitos e bem
apessoados, assim como Fernando Collor de Mello. Mccain era o velho,
acabado. Lembram-se daquela pegadinha sobre quem você queria que
governasse seu país, um velho mulherengo, bêbado, ranzinza ou um
jovem atlético, vegetariano e abstêmio? E que o primeiro era o
Churchill e o segundo o Hitler?
Pois bem, esses são
meus medos com relação a Obama, eles diminuíram um pouco, pois seu
discurso foi menos radical do que poderia ser; mais pé no chão,
menos futurista e mais realista. Ainda assim, a história me diz que
pessoas com certas características no poder podem tornar algumas
coisas mais complicadas.
Prefiro ser o chato do
contra, que fica ali atrás falando “Cuidado, não é bem assim”
e errar, do que me render a uma espécie de histeria coletiva em
torno de qualquer figura pública. Porque desde quando eu descobri
exatamente quem foi Che Guevara; vi que o único cara que salva é
Cristo naquela piadinha com o demônio:
Jesus e o Diabo
estavam disputando para ver quem escrevia mais rápido; o Capeta
derramava cem palavras por minuto no teclado, enquanto Jesus 'brincava'
de catar milho vagarosamente, encurvado em cima do teclado. Belzebu
ria, enquanto olhava para Cristo, falando cada letra que tinha de
digitar antes. Um minuto antes do final do desafio, o Diabo a tinha
escrito o maior e mais importante tratado sobre a condição humana,
enquanto Jesus colocava o ponto final na sua frase. Eis que a luz
acaba, Jesus salvou sua frase enquanto Belzebu perdeu seu tratado
sobre a condição humana por falta de precaução, afinal de contas:
Só Jesus salva.
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