Home arrow Ferrarista arrow A casa é grande 29 de julho de 2010
Menu Principal
Home
Albino
Aurélio
Chico
Ferrarista
Lamberto
Lucas Zelaznog
Magoo
Mussum
Rubilota
Stiletto Jr.
Wolfgang
Enquetes
O nome José Sarney:
 
Assine Nossa Newsletter






A casa é grande PDF Imprimir E-mail
Por Ferrarista   

mansaoEu demorei pra postar, porque demorei pra escrever esse texto, que tá 'entalado' em mim faz muito tempo... Demorei porque sei que ele vai deixar um número razoável de pessoas bem p... da vida... Mas este blog é pra isso mesmo. Tenho alguns amigos que são estrangeiros, e a visão deles de como o Brasil funciona é um grande revelador, porque através tanto dos seus vícios de olhar, quanto do insight de quem está de fora, eles me ajudam a criar um misto de visão sobre o nosso país, melhor que um deles sozinho.

E eles me fizeram ver que no fundo no fundo, o intelectual brasileiro mais 'enxovalhado' do último século estava certo: Gilberto Freyre. Ok, certo em partes, certo na idéia de democracia racial tupiniquim. COMO ASSIM!?

O Brasil não é um país essencialmente racista. Países onde um dos aspectos que predominam na esfera social é a questão étnica formam guetos. O Brasil não tem guetos, a terra do futebol tem periferias, periferias onde moram mais negros, mulatos, indígenas, mamelucos e menos brancos. Mas os brancos vivem lá sim. No Harlem clássico tanto os negros ricos quanto os pobres vivam lá.

Um estrangeiro em terra brasilis tem grande dificuldade em se adaptar ao nosso ambiente pois ele não possui a capacidade que nos foi desenvolvida durante grande parte dos anos da nossa criação; ele não sabe diferenciar em pouco tempo a que classe uma pessoa, ou grupo de pessoas pertence. Nós brasileiros rapidamente sabemos distinguir entre quem é e quem não é da nossa classe, e isso é o que mais nos incomoda em situações sociais; perceber que estamos longe 'dos nossos'.

É claro que esse fato que 'percebi' não torna esse país isento do racismo. Ele existe, mas na maioria das vezes está ligado a justamente essa relação de classe, a maioria da população negra no Brasil é pobre, e a maioria da população pobre é negra; mas aceitamos 'negros esclarecidos' mais facilmente que os americanos (por exemplo) aceitam o Obama, ou um Mexicano. Aqui aceitamos quem quer que seja, desde que ele seja 'bem criado'.

No Brasil temos o mito de Chica Da Silva, que como diz a música de Jorge Ben: “Jóias, roupas exóticas/Das Índias, Lisboa e Paris/A negra era obrigada/A ser recebida/Como uma grande senhora”. Só por causa das suas jóias, a negra era obrigada a ser recebida como uma grande senhora, o que importa aqui é a grana, a estatura que te carrega, o quão próximo você está financeiramente de uma metrópole imaginária. Seja ela Portugal, EUA ou o resto da Europa. O divertido mesmo é ser identificado como um membro da elite que se sente “mais estrangeira que brasileira”.

É duro reconhecer isso, é duro pois isso passa por cima de uma série de preceitos que justamente essas metrópoles nos jogaram em cima. Nos disseram que a raça era importante, que em país que existiram escravos existe racismo, disseram que nosso racismo estava ali, incipiente, brando. Ele pode até ser mais refinado, mais difícil de ser detectado, e só é assim, pois justamente não é ele que desempenha o principal fator social no Brasil, mas sim a estatura das pessoas.

Quem nunca ouviu alguém falar algo do tipo: Ele é negro, mas bem apessoado? Ora bolas, o que importa na frase e na cabeça da pessoa não é que ele é negro em si, mas sim que ele ultrapassa o esteriótipo do negro de ser pobre; portanto é uma pessoa digna de convivência.

O racismo aqui está atrelado a outras coisas, não é como nas nossas metrópoles imaginárias, onde ele atrela coisas. Os judeus (antes da 2a guerra) eram ruins porque eram judeus, os africanos são africanos e então ruins; aqui os pobres são negros e por ser pobre o negro é mal visto. Aqui nós escondemos os pobres atrás de Cingapuras, não mandamos eles para o Harlem, ou Chinatown. O bairro da Liberdade hoje em dia tem tanto ocidental quanto descendentes de orientais. Tem menos negros, porque eles são pobres; não porque são negros.

Talvez com uma maior aproximação e equalização da distribuição das etnias nas classes agente possa dizer com orgulho; bater no peito porque somos tão racistas como a metrópole. E não 'meros' classistas de terceiro mundo...

 
 
Site Desenvolvido por Joombo Sites Dinâmicos