Quando soube que Madonna voltaria ao Brasil, decidi não perder a oportunidade. No início dos 90, ela esteve aqui quase que ao mesmo tempo que Michael Jackson e o trouxa, pelas limitações orçamentárias, optou pelo ET, em um show esquisitíssimo como ele. Me arrependi. Agora seria diferente, pensei.
À meia-noite em ponto - horário de início das vendas pela internet -, entrei. O tempo ia passando e o desânimo chegando. Mais de 200 shows nas costas, de todos os gêneros, e sem a mesma paciência de antigamente, fui dormir.
Acordo com a ligação de uma amiga que aguardava a abertura das bilheterias perguntando se eu queria ingressos. Afirmei que sim, sem bobear. "Garanta ao menos dois para mim", pedi a ela. Uma hora e meia depois, recebo outra ligação. Era ela, chorando. Havia apanhado de cambistas, os mesmos que detêm a maior parte dos ingressos da maior parte dos espetáculos imperdíveis que acontece nas capitais.
Por essa razão, decidi que não perderei mais meu tempo com eventos organizados no Brasil. Aqui a malandragem impera e o respeito ao consumidor vai para o esgoto. Acredite: sai mais barato um final de semana em Buenos Aires com ingresso popular para o show de Madonna do que comprar um lugar VIP no Brasil por meio de um cambista. Além disso, dá pra adquirir um montão de Blue Rays e CDs da cantora com esse dinheiro, evitando a fila da porrada, o banheiro sujo do estádio, o flanelinha safado na entrega do carro, o trânsito caótico na saída. Vai contando ...
Por que tudo tem de ser tão difícil por aqui?