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São poucas as coisas que lamento ter vontade de dizer, mas uma delas é que torço ferrenhamente para a Seleção Brasileira ficar de fora da Copa da África do Sul, em 2010. Quando era mais novo, jogava futebol e quase cheguei ao profissional. Qualquer seleção que era feita, seja nacional, paulista, do colégio ou do bairro, e meu nome constava da lista, não pensava em outra coisa a não ser honrar aqueles que acreditavam em mim e a camisa que defendia.
Entrar em campo significava também respeitar a oportunidade e o talento que Deus havia me dado e, por isso, antes de qualquer coisa, jogar com o coração era sinal de que esse respeito era recíproco.
Muitas vezes saí de campo sangrando e inchado, mas não por conta da pancadaria dos adversários, e sim pela minha vontade em "comer" a bola e cumprir o meu papel. Muitos questionavam se o esforço valia à pena apenas pelo vale-lanche que ganhávamos ao final de cada partida. Mas eu ganhava mais. Tinha plena consciência de que minha satisfação estava em crescer como atleta e como homem.
Hoje, após vinte e cinco anos dessa fase, vejo que o jogador de futebol se transformou em um sujeito sensível, cheio de não me toques e com o ego maior do que a barriga de muitos ex-jogadores que ainda pensam voltar a campo.
Esta semana, o Presidente Lula, talvez em um rompante que ultrapassa o tamanho de seu cargo, desabafou: para ele, o time precisa de raça e um bom exemplo disso é o jogador Messi, da Argentina. Independentemente da maior autoridade do país poder dar palpite ou não na cozinha, Lula tem toda a razão.
Resultado? Jogadores como o goleiro Júlio César, o atacante Robinho e outros, criticaram o Presidente e sua administração.
Aqui vão alguns recados a estes jogadores:
1. Vocês não representam o Brasil. Apenas a CBF e a Seleção Brasileira.
2. Vocês não moram no Brasil. Procurem outra camisa para defender.
3. Vocês encaram a seleção como uma vitrine para melhorar contratos, mostrar jóias, chuteiras galácticas, bandanas moderninhas, a última capa da Sexy e vender qualquer tipo de porcaria.
4. Vocês pensam no Brasil, sim, mas para torrar a grana em churrascos com amigos, marias chuteiras e alguns travecos de vez em quando.
5. Vocês criam fundações de ajuda e bem-estar para livrar a barra de uma crítica. Esqueçam, não cola. E outra, não fazem mais do que a obrigação, pois há trouxas que consomem vocês e precisam ser ressarcidos.
Que a Vivo e a Ambev não sigam caindo no conto. E que a mídia pare de defender aquilo que não existe.
À Seleção Brasileira, os meus mais sinceros desejos que nem repescagem alcance, pois o Brasil no futuro agradecerá que vocês tenham existido para que o resgate do futebol-arte e da paixão aconteça.
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