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Wally Gator é um simpático jacaré criado por Hanna & Barbera nos anos 60. Até onde sei, ele não morreu. Chego à conclusão porque jacarés vivem de 50 a 100 anos, a não ser que sejam daqueles animais jogados à própria sorte, em rios e marginais nos centros urbanos.
Pois esta semana, dois wallys, digo, dois jacarés-de-papo-amarelo, foram apreendidos em uma operação policial na Favela da Coréia, no Rio de Janeiro.
O que eles faziam lá? De acordo com informações da polícia, eram usados por traficantes para se livrar de corpos de criminosos rivais ou mesmo para intimidar moradores e vítimas de sequestro.
O jacaré é um animal que suscita admiração e medo. Já os bandidos, talvez um medo mais eloqüente e um total desprezo de nossa parte.
Hanna & Barbera tiveram a capacidade de brincar com a figura estranha e muitas vezes repulsiva do réptil, transformando-o em um personagem bacana e que no fundo buscava aquilo que todos nós desejamos: a liberdade.
Triste ironia essa a dos jacarés cariocas. Enquanto o bom Wally fica preso em um zoológico sonhando com um passeio pela orla, agora são os jacarés apreendidos que saem da liberdade para o zoológico. Uma liberdade, vejam só, repleta de carne crua e na companhia de bandidos. Credo, prefiro o sonho de Wally.
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