Home arrow Lucas Zelaznog arrow Os riscos de perdermos a indignação 07 de setembro de 2010
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Os riscos de perdermos a indignação PDF Imprimir E-mail
Por Lucas Zelaznog   
indignaoA semana foi intensa de assuntos pesados, arrebatadores, causticantes até. Mas estamos tão anestesiados com a freqüência das más notícias que nada parece nos chocar. Esse talvez seja o maior risco de quem está exposto à mesma coisa tantas vezes.

O ex-chefe da central de transplantes do Rio, Joaquim Ribeiro Filho, é acusado de desviar órgãos para cirurgias em clínicas particulares, além de manipular a lista de transplantes de fígado. Caso a denúncia seja confirmada, vamos ver até onde a Justiça vai passar a mão na cabeça do acusado, que por enquanto é médico.

Da violência dos estetoscópios a das armas. As principais páginas policiais trouxeram em poucos dias mais alguns exemplos da violência que envergonha o País. O brutal assassinato da inglesa Cara Marie Burke, de apenas 17 anos, é o primeiro deles. Foi morta e depois esquartejada pelo goiano Mohamed dos Santos, de 20. Em árabe, Mohamed significa “digno de louvor”. Pelo visto, o goiano se soma a outros tantos no mundo que não respeitam o nome que levam. Em Santa Catarina, Lohana Oliveira, de apenas um ano, morreu com um tiro na cabeça. A polícia investiga se mais este absurdo foi causado por vingança. O pai, que estava com ela no momento do disparo, cumpre condicional por tráfico de drogas. No Guarujá, a turista Lílian Crochi ficou por quatro horas sob a mira do revólver de um bandido. Identificado como Jonathan, o marginal, aparentemente drogado, se suicidou na frente de outros turistas, entre eles crianças.

A inércia do inerte poder público é refletida na abertura de mais uma campanha política. Em São Paulo, a TV Bandeirantes promoveu o primeiro debate com os candidatos a Prefeito da capital paulista. Mais um vexame. Cada ano que passa, os políticos e seus assessores dão provas de que o eleitor é mesmo um otário. Nenhuma proposta coerente, as mentiras de sempre, os melindres de um candidato contra o outro. Na cabeça dessas pessoas, mais importante do que valorizar a vida dos cidadãos, está a obsessão por destruir a reputação de seus oponentes.

Na semana em que ainda respiramos um pouco de bom senso, afinal, a declaração anual de isento não mais precisa ser feita; a regulamentação dos SACs foi assinada e o número de mortes nas estradas caiu; não podemos deixar de nos indignar, sob o risco desta geração perder a chance definitiva de acabar com tudo o que prejudica o avanço. É preciso coragem e atenção para não aceitar que os incapazes de competir na iniciativa privada sigam apodrecendo estatais, ONGs, órgãos públicos e se candidatando a um cargo eletivo. Indignidade Já! Seu voto e sua reclamação podem ser um bom começo.

 
 
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