Home arrow Lucas Zelaznog arrow O Favorito 07 de setembro de 2010
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Por Lucas Zelaznog   
barackAssim como a novela da Globo, as eleições presidenciais nos Estados Unidos estão ganhando contornos de folhetim e muita expectativa. Qual será a verdade por trás de Barack Obama? E de John McCain? Se por um lado nada aparenta ser pior do que George W. Bush, quem pode garantir que Obama ou McCain serão  melhores? Antes que o leitor sinta-se distante desta disputa, é bom lembrar que, apesar da "América" estar enfraquecida, o mundo ainda "gira" em torno dela.

Por isso, é muito bom começar a torcer para que alguma coisa boa saia dali. O preço das commodities, a escolha do modelo de produção do etanol, as brigas  na OMC, o Protocolo de Kyoto, a idéia obsessiva do bem contra o mal, tudo isso impacta e ainda impactará a vida dos brasileiros.

Entrando um pouco no que dizem os candidatos, McCain seria melhor para o Brasil. Não pára de fazer elogios ao nosso País. Obama aparenta estar mais perto do protecionismo. Mas afinal, quem está falando a verdade? O interesse de McCain é ganhar a simpatia de parte emergente da América Latina, liderada por Lula. Já Obama quer fazer média com os norte-americanos e também com os europeus. Escolheu o velho continente, ainda um poderoso formador de opinião global, para arrecadar mundos e, claro, fundos para sua campanha. O democrata fez jus ao seu partido e à memória de John Kennedy.

Na semana passada, conseguiu algo muito difícil nos dias de hoje: que um político americano seja recebido com festa. Foi assim em Londres, em Paris e em Berlim, quando assumiu sua porção astro de rock ao falar para cerca de 200 mil alemães (assista em http://www.youtube.com/watch?v=Q-9ry38AhbU). Qualquer semelhança com o discurso de Kennedy em 23 de junho de 1963, quando 120 mil alemães foram recebê-lo, não é mera coincidência (veja em http://www.youtube.com/watch?v=hH6nQhss4Yc).

O que incomoda a pouco mais de três meses das eleições presidenciais naquele país é a sensação de que estamos diante de dois candidatos pouco transparentes. Obama adota a retórica da transformação, mas não consegue convencer que tipo de ruptura fará nos modelos vigentes. A estética Obama é muito perfeitinha para se acreditar nela. McCain, por sua vez, é a própria encarnação do velho direitista que já não consegue esconder que apito toca.

As pesquisas de opinião nos Estados Unidos apontam Obama como favorito. Confesso que o rodízio no poder me agrada. Por essa teoria, os democratas hoje seriam mesmo a melhor solução para os Estados Unidos e para o mundo. Mas quando falamos de políticos, tudo merece ser avaliado um milhão de vezes.

Tanto lá quanto cá, é preciso romper com o perfil vigente de poder. Não é possível que as histórias de amor e traição continuem permeando as relações entre políticos e seus eleitores. Se a dor do divórcio é inevitável, que a mesma cure as feridas. E que o favorito cumpra com a aposta que fazem nele.

 
 
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