Home arrow Albino arrow Quem se importa? 05 de setembro de 2010
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Por Albino   

mianmarHá um grande dilema filosófico sobre o Mandarim Chinês, que honestamente não me lembro quem escreveu.
A história é a seguinte: Se existisse um rico mandarim, do outro lado do mundo, doente terminal, sem nenhum parente e você tivesse apenas que fazer uma ligação para que alguém o matasse de maneira indolor e com isto você ficasse com toda a fortuna dele, você faria a ligação?

Este questionamento pretende fazer a seguinte reflexão: Até onde vai a nossa moral? Até onde nosso sentimento de culpa pode existir, se não temos nenhum vínculo com o Mandarim, e se o matarmos (lembre-se que ele ia morrer em breve mesmo) obteremos uma fortuna?

Além de tudo nem precisaremos "botar a mão na massa", basta uma simples ligação e ninguém ficará sabendo do ocorrido. 

Nossa moralidade e nossa empatia estão vinculadas diretamente ao quão próximos somos de uma pessoa, idéia, povo ou coisa. Basta ver a gravíssima situação das rãs (isto mesmo, as rãs) no nosso planeta. Como elas são muito sensíveis a variações climáticas e mudanças no habitat, o grau de espécies de rãs que entraram no grupo de risco de extinção é enorme de trinta anos para cá. Especialistas alertam sobre o perigo de extinção de centenas de tipos distintos de rãs pelo planeta.Mas quem tem empatia pelas rãs? Um bicho gelado, feio, gosmento? Ninguém vai salvar as rãs.

O mesmo vale para Mianmar. O que muda na sua vida que 25, 30, 50 ou 100 mil pessoas tenham morrido do outro lado do planeta? Interessa a alguém que mais de um milhão estejam desabrigadas, e o governo autoritário do país simplesmente não queira dar visto de entrada para ajuda humanitária de outros países?

Quem se interessa por isto?

Na verdade, para que escrever sobre isto? Gastar espaço num blog para falar de uma catástrofe sem rosto, sem sentido, que não vai mudar nada o dia de amanhã?

Muito mais grave seria se meu chuveiro quebrasse e se eu tivesse de tomar banho frio amanhã de manhã...Na verdade, nem isto seria grave, pois seria o meu chuveiro. Só quando for o seu chuveiro que aí vai ser uma tragédia nacional. 

 
 
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