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No Brasil, comemora-se quando algo é quase bom. Somos o país do “quase lá”, ainda esperando um milagre econômico que povoa nossos sonhos há décadas. Somos o país do futuro. Enquanto isso, no presente, o ministro-chefe da Controladoria Geral da União, sabatinado no programa Roda Viva de 18 de fevereiro, em pleno turbilhão do escândalo dos cartões corporativos, afirma que, dos cerca de R$ 1,1 trilhão que seu ministério tem para controlar, apenas 0,004% não se controla. Reles R$ 44 milhões podem ser gastos à vontade pelo governo, que, com isso, se mostra uma instituição quase honesta.
Na foto, o ministro, ao lado de Lula: um governo quase 100% transparente...
O grande problema do ministro-chefe da Controladoria Geral da União é que ele é bom demais, tanto é que - isso não se discute - há sim um controle muito maior sobre as contas do Estado. Só que alguém que parece extremamente inteligente é um perigo quando colocado à frente de um órgão de controle das contas públicas controlado pelo próprio governo. É verdade que, segundo o ministro, existem controles externos como o Tribunal de Contas da União e a Promotoria Pública. Acontece que o TCU, como todos os demais Tribunais de Contas estaduais e municipais, costuma ter seus conselheiros, cujos cargos – pasmem! – são vitalícios, nomeados pelo próprio governo, o que torna qualquer rigor na avaliação das contas públicas uma piada. É só observar, por exemplo, o histórico trabalho de defesa dos interesses de políticos como Paulo Maluf e Jânio Quadros realizado sistematicamente pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Já a Promotoria Pública depende da Justiça, e aí...a lei, ora a lei...
Falando em lei, o presidente Lula, para não divulgar como usa seu cartão corporativo, apelou para a Lei de Segurança Nacional, também conhecida como LSN. A curiosidade é que a referida lei foi inúmeras vezes acionada na época da ditadura militar, justamente para calar a oposição, onde estava Lula e a maioria dos políticos que hoje o acompanha. Como se vê, apesar de muitas coisas terem mudado nesses últimos 40 anos, continuamos como estávamos antes, com governos quase bons comandados por políticos quase honestos.
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