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A economia cresce, contribuindo para que meus negócios melhorem continuamente. O dólar baixo permite que viaje mais e faça compras no exterior. A inflação sob controle me ajuda a consumir, a cada dia, mais e mais. Com um quadro tão favorável como esse, por que raios critico tanto o governo Lula?
Juntando os dois mandatos de FHC mais o período de Lula, as coisas só melhoraram para o meu lado. Minha empresa prosperou e minha vida pessoal foi no mesmo caminho. Partindo do princípio que a base da democracia é que podemos escolher, por voto direto, a pessoa que quisermos para nos representar na gestão do estado, eu deveria torcer desbragadamente para que Lula jamais abandonasse Brasília. Fico me perguntando os motivos pelos quais não faço isso imediatamente.
Fico me perguntando também o que teria levado aquela meia dúzia de estudantes bem-nascidos a ter pego em armas contra o governo militar na década de 60.
Também não entendo o que teria motivado parte da classe média, apoiada pelos donos das principais redes de comunicação, a levar tão a sério o movimentos pelas “Diretas Já” na década de 80.
E me pergunto o que é que os jovens eleitores de Maluf estavam fazendo com as caras pintadas no Anhangabaú urrando “Fora Collor! Fora Collor!” no movimento que iria acabar derrubando o primeiro presidente da República eleito pelo povo depois de mais de 20 anos de ditadura.
Curiosamente, o povo não estava em nenhuma dessas manifestações. No lugar dele, o povo, estavam os esclarecidos – nós, claro, pequenos burgueses, bem-nascidos ou não, mas certamente um extrato da população bem mais preparado para decidir e definir os rumos do país.
Nós corremos todo o tipo de risco para que o povo possa ter uma vida mais digna, lutando por lhe garantir condições básicas de sobrevivência, como saneamento, saúde e educação.
E quando vem um sujeito, genuinamente oriundo do povo, que promete tudo isso e ainda nos livra de nossa culpa burguesa ao institucionalizar a esmola em escala nacional com a criação do Bolsa-Família, o que fazemos? Jogamos pedras sobre ele!
Fico me perguntando o que nos impede de sair pelas ruas tremulando bandeiras com frases de gratidão como “Lula is the best!” e “Lula Forever!” E na falta de respostas, me ocorre que, fora um avião ou outro que cai de vez em quando e uma filinha no aeroporto, não temos motivo algum para continuar malhando Lula. Talvez esteja na hora de olharmos para o presidente que o povo, graciosamente, conduziu ao Palácio do Planalto e agradecê-lo por tudo de bom que ele tem feito por nós.
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