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Você sabe o que Roberto Carlos, Silvio Santos e Lula têm em comum? Então você tem um bom motivo para ler esta crônica.
Cena 1: o rei septagenário Roberto Carlos proíbe a circulação de um livro baseado em sua biografia. Livro que, aliás, não traz uma única linha sequer que poderia ser considerada desabonadora para este verdadeiro mito da MPB. Mesmo assim, aquele que é considerado um hit de, pelo menos, três gerações de empregadas domésticas, ganhou na justiça o direito de banir aquela que teria sido sua primeira biografia em livro.
Cena 2: Algumas poucas semanas depois, outra figura septagenária, o señor Silvio Abravanel, plagearia o rei com a mesma atitude antidemocrátiva ao proibir o comediante Luiz Ceará de praticar sua indefectível imitação no programa Pânico na TV. Jogada de marketing ou não, o programa foi à forra e mostrou o Dr. Silvio conversando mais que animadamente em um jantar da alta sociedade com ninguém menos do que o Dr. Paulo. E assim, entaboando uma intensa – diria até “enamorada” - troca de sorrisos, os doutores em esperteza Santos e Maluf são, com o perdão pelo populesco, farinha do mesmo saco.
Cena 3: E aí, outro personagem público, desta vez mais jovem do que os demais, porém com a mesma sede pelo controle da opinião pública através do controle da mídia, o ilustríssimo presidente da República Luis Inácio tirou da cartola não um punhado de dólares, mas desta vez uma portaria, a de número 264, que reinventa - moderniza? - o AI-5, voltando com a censura prévia aos meios de comunicação. Claro que a intenção é das mais nobres: proteger nossas criancinhas...
Roberto Carlos, Silvio Santos e Lula são pensadores neste apocalíptico século XXI. Sentem-se superiores e, como tal, auto-ortougaram-se a responsabilidade pela tutela da população, essa gente que já nasce “pastorizada” e que, portanto, implora para que o estado a acolha como um pai: bondoso, porém severo; companheiro, porém exigente; compreensivo, porém possessivo.
Eles já possuem tudo o que sonharam, agora também querem nos possuir. Possuir nossas consciências, única parte em nós com alguma chance da redenção ou, no mínimo, uma sobrevida maior antes do abismo.
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