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Albino
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Por Albino
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Nos últimos tempos estamos acostumados a associar a palavara "Crise" com algo que seja coletivo. No fundo é impossível definirmos Crise como algo coletivo. Não há crise coletiva, apenas individual.
Vejam o exemplo da boa e velha desculpa das esquerdas de que a violência é algo absolutamente social. E comparem com as favelas, onde moram sonhos e esperanças. Não existe pobreza social, apenas pobreza de espírito. Todos nós enfrentamos problemas individuais, e não há como definirmos qual o maior problema.
A vida é o óculos que usamos para enxergar a vida. E só. O resto é adereço.
Mas em alguns momentos nosso modelo de compreender a realidade (nossos óculos) passam a não funcionar. Há um conflito pessoal (do ponto de vista de nossa estruturada visão de que somos um indivíduo, o que é um "óculos" também, mas não há espaço hoje para conversarmos sobre isto).
Quando há conflito h;a espaço para reflexão, o que é bom.
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Por Albino
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A comparação, mais do que inevitável, é necessária. Ela traz parâmetros pra a construção e "gerenciamento" de nossa identidade. Ao nos compararmos, temos a possibilidade de "moldar" nossa personalidade e compreender melhor o que temos de parecido e de diferente com aqueles de, de alguma maneira, nos identificamos.
Grandes fenômenos acabam estabelecendo definições para as pessoas e para determinados grupos. Um sofrimento coletivo como um campo de concentração ou um terremoto como o que matou centenas de milhares de pessoas no Haití "coletivizam" sentimentos, e determinam semelhanças em pessoas que antes disto não necessariamente teriam algo em comum.
(Logicamente este "algo em comum" citado acima se refere à individuação das pessoas do ponto de vista psicológico, e não às inúmeras semelhanças que temos, quer sejam de nossas essências culturais ou biológicas. Somos muito mais parecidos do que gostaríamos de ser).
Estes eventos - que determinam uma marca no espaço e tempo de muitas pessoas ao mesmo tempo - acabam estabelecendo um registro, um ponto em comum, que no decorrer do tempo acabam criando fortes marcadores de personalidade naqueles que as vivenciaram. Em situações ruins chamamos comumente isto de "Trauma".
Mas como não há nada de absolutamente ruim ou absolutamente bom, chamemos apenas de "registro", pois existem inúmeros outros registros que reforçam o senso coletivo, e simultaneamente, o senso individual, pois estabelecem as regras com as quais pretendemos nos parecer (com alguém, com algo ou com nós mesmos).
Lendo o artigo de Maria Rita Kehl de 06 de fevereiro no Estado de São Paulo - "Meu Tempo", pude constatar um destes registros, o da Geração de 1968. É impossível para alguém que foi jovem em 1968 (e/ou que teve acesso ao que estava acontecendo) que este registro não se torne fundamental como referência para a construção da sua individualidade.
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Por Albino
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Há alguns anos atrás eu resolvi experimentar pintar. Particularmente nunca tive grande aptidão para a pintura, sempre fui mais do desenho e da gravura. Hoje é possível ver em meus trabalhos a influência da xilogravura, nos risquinhos que faço em todos os meus trabalhos.
Isto é uma coisa interessante, por sinal. Sempre me interessei pela Xilogravura pois há um diálogo entre o que o gravador pretende e o que as ranhuras da madeira permitem que ele escave. Hoje, de certa maneira, sou o escavador e a madeira, quando defino o veio de minha madeira e o entalhe que vou realizar em mim.
Quando resolvi pintar, minhas primeiras experiências foram, no mínimo, desastrosas. Muita tinta, muito borrão, uma sujeira de dar dó. Aqueles animais que pintam - chimpanzés e elefantes - estavam anos-luz do ponto de vista técnico se comparados a minha pobre maneira de usar a tinta e a tela.
Mas um quadro, apenas um, ficou interessante. Era o retrato de uma cadeira. Pode parecer estranho um "retrato" de uma cadeira, mas era exatamente isto: Resolvi retratar uma ausência, a ausência de meu pai.
Quando eu era mais novo, minha mãe, em seus momentos de depressão, cantava uma música do Nélson Gonçalves (Naquele mesa está faltado ele, e a saudade dele, tá doendo em mim). A maneira lacrimosa que minha mãe entoava esta canção me dava um puta baixo astral, e tornava mais forte a sensação de perda de meu pai. Sendo assim, nada melhor que purgar este sentimento retratando aquela ausência.
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Por Albino
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Há muito tempo eu penso sobre a relação entre a Vítima e seu Algoz. Imagino que existam pensadores de estirpe que já tenham explorado bastante este tema. Vou tomar a liberdade de também tratar sobre o assunto e não ficar me remoendo pensando que precisaria citá-los e não os conheço, ou não me lembro dos seus nomes.
Duas histórias do mundo da ficção imediatamente me vem à cabeça: O livro "A morte e a donzela", do Ariel Dorfmann, ( que virou filme depois, com a Sigourney Weaver e o Ben Kingsley) e o filme "O porteiro da noite". Em "A morte e a donzela" há uma situação de inversão de papéis: Uma mulher que passou por torturas durante o período da ditadura reencontra seu torturador, o aprisiona e faz com que ele passe por todo o sofrimento que ela tinha passado.
Já em "O porteiro da noite" a situação é um pouco diferente. Um ex-soldado nazista reencontra uma ex-prisioneira de um campo de concentração após a guerra acabar. O que acontece é uma estranha atração que faz com que eles se tornem amantes, numa relação "sadomasoquista", por assim dizer.
Curiosamente nas duas situações existe algum tipo de prazer, a diferença é que no primeiro caso o prazer não é compartilhado. A mulher torturada (e agora torturadora) sente prazer ao extravasar sua Vingança. No segundo caso os dois dão continuidade à complexa relação anteriormente estabelecida, mas agora com o consentimento das duas partes. Os papéis continuam só que em outra situação.
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Por Albino
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Assisti "Extract", novo filme de Mike Judge (Como enlouquecer seu chefe, Idiocracy e Beavis and Butthead).
Sou fã de Mike Judge e de seu senso de humor corrosivo.
"Extract" é um pouco diferente disto, talvez o humor não seja a tônica do filme, apesar de ter momentos muito divertidos. Mas a narrativa é lenta, o fluxo não é acelerado.
O filme mostra situações inesperadas do cotidiano de um proprietário de uma fábrica de essências (talvez a maior ironia de todas no filme) para alimentos. A fábrica está prestes a ser vendida, o que pode gerar uma aposentadoria antecipada e esperada pelo dono, mas ele não está feliz. Seu casamento vai mal, e isto o incomoda.Aconselhado por um amigo (e mau conselheiro), ele resolve tentar fazer as coisas de uma maneira diferente, e seu casamento sai definitivamente do lugar.Ao mesmo tempo, problemas acontecem em sua fábrica, e a potencial compra acaba sendo colocada em xeque.
Em suma, é o retrato de uma crise.
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"Acho que, de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo. O africano tem uma maldição. Todo lugar que tem africano está fodido".
George Samuel Antoine, Cônsul Geral do Haiti em São Paulo, na Folha de São Paulo de 17/01/2010
Você acredita em Destino, em Livre-Arbítrio ou no Acaso?
Os gregos acreditavam que não conseguimos fugir de nosso Destino, qualquer que seja ele. A essência da Tragédia Grega é o herói tentar, com todas as suas forças, fugir de seu Destino e ter de se confrontar com ele, apesar de seus esforços. Édipo é a própria encarnação desta questão, ao fugir de seu destino justamente para ir de encontro a ele.
Hoje, o mundo neoliberal cristão acredita piamente no Livre-Arbítrio, que nos permitiria tomar decisões tanto para nos tornarmos financeiramente bem-sucedidos quanto para não desviarmos dos caminhos de Deus, caindo nas tentações do Diabo (que por sinal anda sumido da Igreja Católica, daí o reaparecimento dele nas Igrejas Evangélicas:Pecisamos do Diabo, do Outro, para que a culpa absoluta não caia em nós, mas sim na Tentação. Sei que é ambíguo e paradoxal, mas é humano).
Tive o desprazer de conversar com uma pessoa sobre o Haiti esta semana. Segundo ela (e mais alguns que estão pipocando na mídia agora), a energia negativa trazida pelo Vodu praticado no Haitiacabou gerando este terremoto e a conseqüente tragédia de desolação e morte.
É uma lei da ação e reação, muito ao estilo de "O Segredo", que propõe a onipotência do Livre-Arbítrio: Se você realmente acreditar, o Destino se dobrará às suas vontades.
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Há resistência à Globalização: Ela se chama Tribalização.
A Tribalização nada mais é do que o resgate dos princípios fundamentais de organização em outros formatos de grupos, que não sejam os das Sociedades Civilizadas. Há uma razão para isto, que é o fato da Globalização estar "planificando" todas as outras formas de estruturas sociais numa só, com regras únicas e formatos de relacionamento pré-definidos.
Pesquisadores e cientistas concordam que o ser humano é capaz de estabelecer relações sociais com até 150 pessoas. Dentro deste grupo somos capazes de organizar as pessoas em Contatos Quentes e Contatos Frios. Quentes são os próximos, que são poucos. Frios são os contatos que podem se tornar interessantes em situações novas (o que o pessoal chama atualmente de Network).
As Sociedades Civilizadas estão operando, em sua grande maioria, com pontos de contato (comerciais e sociais) muito sólidos. Há interpenetração cultural em todas as situações, sem exceção. Ela é a cultura predominante e a forma de sociedade que definiu o mundo tal como ele está hoje, ou tal como ele está se tornando.
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Por Albino
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Muita gente tem comentado o absurdo comportamento do médico Roger Abdelmassih com suas clientes. Não há como negar, o cara foi muito, muito além do esperado de um profissional tecnicamente competente e, considerado por muitos, um dos melhores do mundo em sua especialidade.
O que acho curioso é que ninguém tenha chamado atenção à questão psicológica de seu comportamento. Acho que as pessoas estão tão impressionadas com o número de abusos e de estupros que não percebem que o desvio de conduta dele é absolutamente configurável como transtorno de personalidade. O cara não é tarado (ou "apenas" tarado, no sentido de buscar muito sexo ou ter muito interesse no tema), ele é sexualmente problemático, e como tal, precisa de tratamento.
Muitos profissionais se tornam megalômanos na situação dele. Bem sucedido, famoso, rico, o cara se acha o tal. Mas o caso dele extrapola a megalomania: Seu comportamento aponta para uma personalidade mitômana, que acredita estar absolutamente acima do bem e do mal. Não haveria, nesta condição, possibilidade de comparação com qualquer outro ser humano, o cara se acha Deus da Fertilidade. Confundem-se a profissão e o desvio: Ele aparentemente criou um "ritual" de fertilização com suas clientes, como se fosse o responsável por fertilizar cada uma de suas pacientes.
Com o dinheiro que tem e com a libido que aparenta ter, ele poderia facilmente procurar mulheres bonitas e satisfazer suas necessidades sexuais. Por que então procuraria "abusar" de suas clientes, mulheres fragilizadas, que não conseguem engravidar? Talvez por achar que ele estivesse, como homem, sendo chamado a fertilizá-las. Mas com a impossibilidade de "contaminar" seus procedimentos, ele atuaria de maneira periférica, buscando contato físico sem necessariamente a penetração.
Sei que é difícil falar isto, mas prender o cara não vai resolver seu problema. O cara precisa é de tratamento... E isto não significa que ele não precise ser punido pelos seus atos. Não é para abrandar ou livrar o sujeito, mas que ele é doente, não há dúvida.
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Por Albino
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Vocês já viram quanta gente quer "ajudar" velhinho? Pois é.
Parte das pessoas que conheço acha que velho precisa se ocupar, para não ficar muito ocioso e morrer de tédio literalmente.
Eu concordo parcialmente com este raciocínio. Acho que precisamos integrar as pessoas idosas ao cotidiano da família, fazer com que elas participem, mas sem abusar.
Estou acompanhando um caso de uma senhora de 94 anos que a família acha que precisa "estimular" um pouco.
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